Gênesis Cap.1 - Comentário Bíblico Popular, William Macdonald
I. O inicio da história da terra (1—11)
A. A criação (1—2)
1:1 “No princípio, criou Deus...” .
Essas quatro primeiras palavras da Bíblia representam o alicerce da fé. Creia
nelas e será capaz de acreditar em tudo que está escrito na Bíblia. Gênesis
contém o único relato legítimo da criação. Além disso, fornece sentido e
propósito para pessoas de todas as idades, e seu conteúdo vai muito além do que
todos somos capazes de absorver. Em vez de tentar provar a existência de Deus,
o texto inicia-se pressupondo isso como um fato. A Bíblia chama de insensato (SI 14:1; SI 53:1) aquele que escolhe negar a
existência de Deus. Assim como as Escrituras abrem falando de Deus, ele deve ser
também o primeiro em nossa vida.
1:2 A teoria denominada criação e
reconstrução, uma dentre várias interpretações conservadoras da narrativa de
Gênesis, considera que entre os versículos 1 e 2 houve uma catástrofe
gigantesca, possivelmente a queda de Satanás (ver. Ez 28:11-19) . Isso tomou a criação
perfeita e original de Deus sem forma e vazia {tõhü wãvõhú). Considerando
que Deus não criou a terra sem forma e vazia (ver. Is 45:18), somente um
imenso cataclismo poderia explicar a condição caótica descrita no versículo 2.
Proponentes dessa interpretação chamam atenção para o fato de que o termo traduzido
por estava (hãyethã) também pode ser traduzido por “tomou-se”.4 Desse
modo, o texto poderia ser traduzido: “A terra, porém, ficou sem forma e vazia”.
E o Espírito de Deus pairava por sobre as águas, isto é, preparava-se para o maravilhoso ato criativo e reconstrutivo que vem a
seguir. Os versículos restantes descrevem os seis dias de criação e
reconstrução que moldaram a terra para ser habitada pelos seres humanos.
1:3-5 No primeiro dia, Deus ordenou que a
luz se separasse das trevas e, com isso, estabeleceu o ciclo Dia e Noite. Esse ato
não deve ser confundido com a criação do sol, da lua e das estrelas no quarto
dia. Em 2 Coríntios 4:6, o apóstolo Paulo estabelece um paralelo da separação
entre a luz e as trevas com a conversão do pecador.
1:6-8 Parece que, antes do segundo dia,
aterra estava completamente imersa numa camada espessa de água, talvez em forma
de vapor carregado. No segundo dia, Deus dividiu essa camada em duas partes: uma
parte cobriu a terra, e a outra formou as nuvens, e entre elas surgiu a
atmosfera, ou firmamento: E chamou Deus ao firmamento Céus, isto é, o espaço imediatamente acima da
superfície do planeta (não o espaço estelar, nem o terceiro céu, onde Deus
habita). 0 versículo 20 deixa claro que o céu aqui se refere ao espaço onde
voam as aves.
1:9-13 Depois disso, Deus ajuntou as
águas que cobriam o planeta e fez aparecer a porção seca, criando assim a Terra
e os Mares. Além disso, no terceiro dia Deus fez surgir todos os tipos de plantas
e árvores na terra.
1:14-19 Somente no quarto dia Deus
criou os luzeiros no firmamento dos céus (o sol, a lua e as estrelas) para
iluminarem a terra e servirem no estabelecimento do calendário.
1:20-23 No quinto dia, Deus povoou
as águas com peixes e a terra, com aves e insetos. A palavra traduzida por aves
significa “seres que voam”, incluindo morcegos e provavelmente insetos alados.
1:24-25 No sexto dia, Deus criou os
animais e répteis. A lei biológica da reprodução aparece repetidamente com as
palavras conforme a sua espécie. Há variações significativas entre as
“espécies” que
compõem a vida biológica, mas não há cruzamento entre uma espécie e outra.
1:26-28 A coroa da obra de Deus foi
a criação do homem à sua imagem e semelhança. Isso significa que o homem foi
colocado na terra como representante de Deus e, de certa forma, partilha
características semelhantes com o Senhor: Deus é uma Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), e o homem é um ser tripartite (corpo, alma e
espírito); como Deus, o homem possui intelecto, juízo moral, poder de se comunicar
com os outros e uma natureza emocional que transcende seus instintos. Não há indicação de semelhança física no texto.
Ao contrário dos animais, o homem é um ser criador e adorador, e se comunica com
clareza. O versículo 26 contempla ou até mesmo faz supor a existência da Trindade:
“disse [no heb., o verbo está no singular] Deus [.Elohim, no plural]:
Façamos [plural] o homem à nossa imagem”. A Bíblia apresenta a origem dos sexos
como um ato criativo de Deus (a evolução até agora não conseguiu explicar como surgiram os sexos). Deus ordenou aos seres humanos: sede
fecundos, multiplicai-vos. Quanto à criação, Deus disse ao homem: sujeitai-a; dominai;
porém não mandou que fosse destruída. A crise atual que afeta o meio ambiente
se deve à ganância, ao egoísmo e à negligência do homem.
1:29-30 Esses versículos deixam
claro que, no início, os animais eram herbívoros, e o homem, vegetariano. Essa
situação mudou após o dilúvio (ver. 9:1-7). Será que os seis dias da criação
compreendiam 24 horas ou seriam referentes a eras geológicas? Ou será que se
referem a seis dias de “visões dramáticas” em que Deus revelou a Moisés
como ocorreu a criação? Até agora, nenhuma evidência científica refutou o
conceito de que esses períodos se referem a dias solares de 24 horas. A
expressão “houve tarde e manhã” indica um intervalo de 24 horas. Em qualquer
outra passagem do AT, essas palavras indicam um dia solar normal. Após o
término daquele sétimo dia, Adão ainda viveu 930 anos, de modo que o sétimo dia
provavelmente não se refere a uma era geológica. No AT, sempre que a palavra
“dia” aparece junto de um numeral (p. ex., “primeiro dia”), ela se refere a um
dia de 24 horas. A ordem de Deus para que o povo de Israel descansasse no
sábado tinha por base seu descanso no sétimo dia após seis dias de trabalho (Êx
20:8-11). A fim de garantirmos uma interpretação coerente sobre esse assunto,
precisamos adotar um único significado para a palavra “dia”. A dificuldade,
entretanto, reside no fato de que o dia solar como o conhecemos pode ter
surgido somente no quarto dia da criação (v. 14-19). Na Bíblia, não se atribui
uma data específica à criação do céu e da terra ou à criação do homem. Contudo,
o texto apresenta genealogias. Ora, mesmo admitindo possíveis lapsos de tempo
nessas informações, o homem não poderia ter vivido na terra por milhões de
anos, como querem os evolucionistas. João 1:1,14, Colossenses 1:16 e Hebreus
1:2 ensinam que o Senhor Jesus foi o agente da criação. Em vista das
inesgotáveis maravilhas de sua criação, ele é digno de adoração eterna.
1:31 Ao final dos seis dias da
criação, viu Deus tudo
quanto fizera, e eis que era muito bom.