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A Criação, Versículos 9 a 13 - Comentário de Matthew Henry / Gênesis


Comentário de Matthew Henry Gênesis 1 -  Versículos 9 a 13

A Criação

A obra do terceiro dia é narrada nestes versículos sobre a formação do mar e da terra seca, e da formação da terra frutífera. Até este ponto o poder do Criador foi exercido e empregado na parte superior do mundo visível. A luz do céu foi acesa, e o firmamento do céu foi fixado. Mas agora Ele desce para o seu mundo inferior, a terra, que foi criada para os filhos dos homens, criado tanto para a sua habitação como para a sua manutenção. E aqui temos um relato da preparação dela para ambos os propósitos, e da edificação de sua casa e da colocação de sua mesa. Observe:

I. Como a terra foi preparada para ser uma habitação para o homem, juntando as águas, e fazendo surgir a terra seca. Desse modo, em vez da confusão que havia (v. 2) quando a terra e a água estavam misturadas em uma única grande massa, eis, agora, que há ordem, tornando-as úteis por esta separação. Deus disse: Que assim seja. E assim foi. Dito e feito.

1. As águas que haviam coberto a terra receberam a ordem de recuar, e se juntar em um único lugar, ou seja, naqueles espaços que eram adequados e foram designados para sua recepção e repouso. As águas então afastadas, então recolhidas, e então alojadas em seu lugar próprio, Ele chamou mares. Embora eles sejam muitos, em regiões distantes, e banhando várias praias, seja na superfície ou no subterrâneo, há uma comunicação entre uns e outros, e assim são um só, e o receptáculo comum das águas, para o qual todos os rios fluem, Eclesiastes 1.7. As águas e os mares freqüentemente, na escritura, significam dificuldades e aflições, Salmos 42.7; 69.2,14,15. O próprio povo de Deus não está isento destas coisas neste mundo. Mas o seu conforto é que elas são apenas águas que estão debaixo do céu (não há estas coisas no céu), e que todas elas estão no lugar que Deus designou. E assim, elas devem ficar dentro dos limites que o Senhor estabeleceu para elas. Como as águas foram reunidas no princípio, e como elas ainda permanecem limitadas pelo mesmo Poder que as confinou em primeiro lugar, elas são descritas de um modo elegante, Salmos 104.6-9, e são ali mencionadas como um motivo de louvor. Aqueles que descem ao mar em navios deveriam reconhecer diariamente a sabedoria, o poder e a bondade do Criador, ao fazer as grandes águas úteis para o homem para o comércio. E aqueles que permanecem em casa devem se considerar devedores Àquele que mantém o mar com bloqueios, e portas no lugar decretado. E segura as suas ondas orgulhosas, Jó 38.10,11. 

2. A terra seca surgiu e emergiu das águas, e foi chamada terra, e entregue aos filhos dos homens. Alguns entendem que parece que a terra já existia antes, mas não tinha utilidade, porque estava submersa. Assim, muitos dos dons de Deus são recebidos em vão, porque estão enterrados. Faça-os aparecer, e eles se tornarão úteis. Nós que, até hoje, desfrutamos o benefício da terra seca (embora, desde que foi inundada uma vez e então seca outra vez) devemos nos considerar inquilinos e dependentes de Deus, pois as Suas mãos formaram a terra seca, Salmos 95.5; Jonas 1.9.

II. Como a terra foi suprida e adequada para a manutenção e sustento do homem, ver 11,12. Uma provisão presente foi feita agora pelos produtos imediatos da terra que, em obediência à ordem de Deus, foram feitos no mesmo instante em que se tornou frutífera, e gerou erva para o gado e para servir ao homem. Uma provisão foi feita igualmente para o tempo futuro, pela perpetuação de diversos tipos de vegetais, que são numerosos, variados, e todos curiosos, e cada um tendo a sua semente em si conforme o seu tipo. Durante a continuidade do homem sobre a terra, os alimentos devem ser tirados da terra para o seu uso e benefício. Senhor, o que é o homem, para que seja assim visitado e considerado com tal cuidado, e feita tal provisão para o sustento e a preservação daquelas vidas culpadas e ofensivas que sem dúvida perderam os seus direitos! Observe aqui:

1. Que não é só a terra que é do Senhor, mas também a sua plenitude, e que Ele é o proprietário de direito e o distribuidor soberano, não só disto, mas de tudo o que a compõe. A terra era vazia (v. 2), mas, agora, pelo poder da Palavra, tornou-se repleta das riquezas de Deus e elas são suas. Seu grão e seu mosto, sua lã e seu linho, Oséias 2.9. Embora o uso de tudo isto nos seja permitido, a propriedade permanece sendo dele, e tudo deve ser usado para o seu serviço e honra.

2. Que a providência comum é uma criação continua, e nela o nosso Pai trabalha até agora. A terra ainda permanece sob a eficácia de sua ordem, para gerar a erva do campo e os seus produtos anuais. E embora - de acordo com o curso comum da natureza - estes não sejam milagres regulares, são, porém, casos constantes do poder incansável e da bondade incessante do grande Criador e Senhor do mundo.

3. Que embora Deus regularmente faça uso da instrumentalidade de causas secundárias, de acordo com a natureza delas, Ele não precisa delas nem está preso a elas. Porque, embora os frutos preciosos da terra sejam geralmente produzidos pela influência do sol e da lua (Dt 33.14), aqui encontramos a terra possuindo uma grande abundância de frutos, provavelmente frutos maduros, antes que o sol e a lua fossem criados.

4. Que é bom provermos as coisas necessárias antes de termos a oportunidade de usá-las. Antes que os animais e o homem fossem feitos, havia aqui a erva do campo preparada para eles. Deus assim lidou com o homem de forma sábia e bondosa. Que o homem não seja, portanto, tolo e insensato consigo mesmo.


5. Que Deus deve ter a glória de todo o beneficio que recebemos dos produtos da terra, seja como alimento ou remédio. E Ele que ouve os céus quando eles ouvem a terra, Oséias 2.21,22. E se tivermos, através da graça, um interesse Naquele que é a fonte, poderemos nos alegrar nele quando as correntes se secarem e a figueira não florescer

A Criação, Versículos 6 a 8 - Comentário de Matthew Henry / Gênesis

A Criação, Versículos 6 a 8 - Comentário de Matthew Henry / Gênesis

Comentário de Matthew Henry Gênesis 1 -  Versículos 6 a 8


A Criação

Temos aqui um relato da obra do segundo dia, a criação do firmamento, no qual observe:

1. A ordem de Deus a esse respeito: Haja um firmamento, uma extensão. Este é o significado da palavra grega, como um lençol esticado, ou uma cortina puxada. Isto inclui tudo o que é visível acima da terra, entre ela e o terceiro céu: o ar, as regiões superiores, do meio, e inferiores do globo celeste, e todas as esferas e órbitas da luz acima. O alcance é tão alto quanto o lugar onde as estrelas estão fixadas, porque aqui é chamado de firmamento do céu (ver 14,15), e tão baixo quando o lugar onde as aves voam, porque também é chamado de firmamento do céu, v. 20. Quando Deus fez a luz, designou o ar para ser o receptáculo e veículo de seus raios, e para ser um meio de comunicação entre o mundo invisível e o visível. Porque, embora entre o céu e a terra haja uma distância inconcebível, não há um abismo intransponível, como há entre o céu e o inferno. Este firmamento não é uma parede de divisão, mas um meio de comunicação. Veja Jó 26.7; 37.18; Salmos 104.3 e Amós 9.6. 

2. A sua criação. Para que não parecesse que Deus tivesse apenas ordenado que fosse feito, e que outra pessoa a fizesse, ele acrescenta: E Deus fez o firmamento. O que Deus exige de nós, Ele mesmo opera em nós. Caso contrário, nada é feito. Aquele que ordena a fé, a santidade e o amor, cria-os pelo poder da sua graça que acompanha a sua palavra, de forma que Ele possa ter todo o louvor. Senhor, dá-nos aquilo que tu ordenaste, e então ordene o que te agrade. E dito que o firmamento é a obra dos dedos de Deus, Salmos 8.3. Embora a vastidão de sua extensão declare que é a obra do seu braço estendido, a admirável excelência de sua constituição mostra que ela é uma curiosa obra de arte, a obra de seus dedos. 

3. O uso e projeto de se dividir as águas das águas, isto é, distinguir entre as águas que ficam envoltas nas nuvens e aquelas que cobrem o mar, as águas no ar e aquelas na terra. Veja a diferença entre estas duas águas que são cuidadosamente observadas, Deuteronômio 11.10,11, onde Canaã é relatada aqui em preferência ao Egito. O Egito foi umedecido e tornado frutífero com as águas que estão debaixo do firmamento, sim, o orvalho do céu, que não espera pelos filhos dos homens, Miquéias 5.7. Deus tem, no firmamento do seu poder, câmaras ou depósitos de onde Ele molha a terra, Salmos 104.13; 65.9,10. Ele também possui tesouros, ou depósitos de neve e granizo, os quais Ele tem reservado para os dias de batalhas e guerras, Jó 38.22,23. OH! Que grande Deus é aquele que assim tem suprido para o conforto de todos aqueles que o servem, e para a confusão de todos aqueles que o odeiam! E bom tê-lo como amigo, porém e terrível tê-lo como inimigo. 

4. A atribuição de nomes. Ele chamou o firmamento de céu. Este é o céu visível, o pavimento da cidade santa; é dito que Deus tem o seu trono acima do firmamento (Ez 1.26), porque Ele o preparou nos céus. Por esta razão foi dito que os céus dominam, Daniel 4.26. Não está Deus nas alturas do céu?, Jó 22.12. Sim, Ele está, e devemos ser levados pela contemplação dos céus que estão à nossa vista para que consideremos o Pai que está no céu. A altura dos céus deve nos fazer lembrar da supremacia de Deus e da distância infinita que há entre nós e Ele. O brilho dos céus e a sua pureza devem nos fazer lembrar de sua glória, majestade, e perfeita santidade. A vastidão dos céus, a abrangência da terra, e a influência que eles têm sobre ela, devem nos fazer lembrar de sua imensidão e providência universal.

A Criação, Versículos 3 a 5 - Comentário de Matthew Henry / Gênesis

A Criação, Versículos 3 a 5 - Comentário de Matthew Henry / Gênesis

Comentário de Matthew Henry Gênesis 1 -  Versículos 3 a 5


A Criação

Temos aqui um outro relato da obra do primeiro dia, no qual observe:

1. Que o primeiro de todos os seres visíveis que Deus criou foi a luz. Não que por ela Ele pudesse cuidar da obra (porque tanto as trevas como a luz são semelhantes para Ele), mas que por ela nós pudéssemos ver as suas obras e a sua glória nelas, e pudéssemos fazer o nosso trabalho enquanto é dia. As obras de Satanás e de seus servos são obras de trevas. Mas aquele que pratica a verdade, e faz o bem, vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, (João 3.21). A luz é a grande beleza e bênção do universo. Como o primogênito de todas as coisas visíveis, ela é o que mais lembra o seu grande Pai em pureza e poder, brilho e beneficência; é de grande afinidade com um espírito, e está próxima a ele. Embora por ela vejamos outras coisas, e estejamos certos de que ela é, não conhecemos a sua natureza, nem podemos descrever o que ela é, ou por qual caminho a luz é repartida, (Jó 38.19,24). Pela visão dela sejamos guiados, e ajudados, para alcançarmos a contemplação de fé Naquele que é luz, a luz infinita e eterna (1 Jo 1.5), e o Pai das luzes (Tg 1.17), e que habita em luz inacessível,( 1 Timóteo 6.16). Na nova criação, a primeira coisa operada na alma é a luz. O Espírito bendito cativa a vontade e os sentimentos iluminando o entendimento, assim entrando no coração pela porta, como o bom pastor que é conhecido pelas ovelhas, enquanto que o pecado e Satanás, como ladrões e assaltantes, procuram pular por outro caminho. Aqueles que pelo pecado são trevas, pela graça se tornam luz no mundo.

2. Que a luz foi feita pela palavra de poder de Deus. Ele disse, Haja luz. Ele desejou e ordenou, e a sua vontade foi feita imediatamente. Houve luz, uma cópia exata respondeu à ideia original na Mente Eterna. OH! O poder da Palavra de Deus! Ele falou e foi feito. Feito realmente, efetivamente, e para a perpetuidade, não apenas em aparência, e para servir a um momento presente, porque Ele ordenou, e ela não cedeu. Com Ele era um dito, uma palavra memorial, e um mundo. A palavra de Deus (isto é, a sua vontade e o seu bom prazer) é rápida e poderosa. Cristo é o Verbo, o Verbo essencial e eterno, e por Ele a luz foi produzida, porque nele estava a luz, e Ele é a luz verdadeira, a luz do mundo, (João 1.9; 9.5). A luz divina que brilha nas almas santificadas é operada pelo poder de Deus, pelo poder de sua palavra e do Espírito de sabedoria e revelação, abrindo o entendimento, dissipando a névoa da ignorância e do engano, e dando o conhecimento da glória de Deus na face de Cristo, como a princípio, quando Deus ordenou que a luz brilhasse nas trevas, (2 Coríntios 4.6). As trevas estariam perpetuamente sobre a face do homem caído, se o Filho de Deus não tivesse vindo, e nos dado um entendimento, (1 João 5.20).

3. O Senhor Deus aprovou a luz que desejou, quando foi produzida. Deus viu que a luz era boa. Foi exatamente como ele planejou, e era adequada para responder à finalidade para a qual ela foi criada. Era útil e proveitosa. O mundo, que agora é um palácio, teria sido um calabouço sem ela. Era agradável e prazerosa. Verdadeiramente suave é a luz (Ec 11.7). Ela alegra o coração, Provérbios 15.30. Deus aprovará e misericordiosamente aceitará aquilo que Ele mesmo ordenar. Ele ficará satisfeito com as obras das suas próprias mãos. Aquilo que é realmente bom, é o que for bom aos olhos de Deus, porque Ele não vê como o homem vê. Se a luz é boa, é porque Ele é a fonte da luz, de quem nós a recebemos, e a quem devemos todo o louvor por ela e por todos os serviços que fazemos através dela!

4. Que Deus separou a luz das trevas, colocando-as de forma a não se juntarem, ou serem conciliadas. Porque, que comunhão há da luz com as trevas? (2 Coríntios 6.14). Contudo, Ele dividiu o tempo entre elas, o dia para a luz e a noite para as trevas, em uma sucessão constante e regular de cada uma delas. Embora as trevas estivessem agora dissipadas pela luz, elas não foram condenadas a um banimento perpétuo, mas se revezam com a luz, e têm o seu lugar, porque têm a sua utilidade. Porque, assim como a luz da manhã trata das coisas do dia, as sombras do anoitecer tratam do repouso da noite, e puxam as cortinas sobre nós, para que possamos dormir melhor. Veja Jó 7.2. Deus desse modo dividiu o tempo entre a luz e as trevas, porque Ele diariamente nos faria lembrar que este é um mundo de misturas, alternâncias e mudanças. No céu há luz perfeita e perpétua, e não há trevas. Porém, no inferno, existe uma escuridão absoluta. Ali não há sequer um raio de luz. Naquele mundo, entre o céu e o inferno há um grande abismo fixado. Mas, neste mundo, eles se alternam, e passamos diariamente de um para o outro, para que possamos aprender a esperar igualmente as vicissitudes na providência de Deus. Paz e transtorno, alegria e tristeza, e para que possamos colocar um contra o outro, nos acomodando às nossas atitudes tanto na luz como nas trevas, dando boas-vindas a ambas, e tirando o máximo proveito de ambas.

5. Que Deus as dividiu uma da outra por nomes distintos: A luz Ele chamou dia, e as trevas, chamou noite. Ele lhes deu nomes, como Senhor de ambas. Porque o dia lhe pertence, e a noite também, (Salmos 74.16). Ele é o Senhor do tempo, e assim será, até que o dia e a noite cheguem a um fim, e o rio do tempo seja tragado pelo oceano da eternidade. Reconheçamos a Deus na sucessão constante de dia e noite, e consagremos ambos para a sua honra, trabalhando para Ele todos os dias e descansando nele todas as noites, e meditando em sua lei de dia e de noite.


6. Que esta foi a obra do primeiro dia, e foi um bom dia de trabalho. A tarde e a manhã foram o primeiro dia. A escuridão da noite veio antes da luz da manhã, para realçá-la, e enfeitá-la, e fazê-la brilhar com maior intensidade. Este não só foi o primeiro dia do mundo, mas o primeiro dia da semana, Eu observo isto para a honra deste dia, porque o novo mundo começou também no primeiro dia da semana, na ressurreição de Cristo, como a luz do mundo, de manhã cedo. Nele, o dia que veio do alto visitou o mundo. E seremos felizes, felizes para sempre, se aquela estrela da manhã nascer nos nossos corações.

Gênesis Cap.1 - Comentário Bíblico Popular, William Macdonald

Gênesis Cap.1 - Comentário Bíblico Popular, William Macdonald

Gênesis Cap.1 - Comentário Bíblico Popular, William Macdonald

I. O inicio da história da terra (1—11)

A. A criação (1—2)


1:1 “No princípio, criou Deus...” . Essas quatro primeiras palavras da Bíblia representam o alicerce da fé. Creia nelas e será capaz de acreditar em tudo que está escrito na Bíblia. Gênesis contém o único relato legítimo da criação. Além disso, fornece sentido e propósito para pessoas de todas as idades, e seu conteúdo vai muito além do que todos somos capazes de absorver. Em vez de tentar provar a existência de Deus, o texto inicia-se pressupondo isso como um fato. A Bíblia chama de insensato (SI 14:1; SI 53:1) aquele que escolhe negar a existência de Deus. Assim como as Escrituras abrem falando de Deus, ele deve ser também o primeiro em nossa vida.

1:2 A teoria denominada criação e reconstrução, uma dentre várias interpretações conservadoras da narrativa de Gênesis, considera que entre os versículos 1 e 2 houve uma catástrofe gigantesca, possivelmente a queda de Satanás (ver. Ez 28:11-19) . Isso tomou a criação perfeita e original de Deus sem forma e vazia {tõhü wãvõhú). Considerando que Deus não criou a terra sem forma e vazia (ver. Is 45:18), somente um imenso cataclismo poderia explicar a condição caótica descrita no versículo 2. Proponentes dessa interpretação chamam atenção para o fato de que o termo traduzido por estava (hãyethã) também pode ser traduzido por “tomou-se”.4 Desse modo, o texto poderia ser traduzido: “A terra, porém, ficou sem forma e vazia”. E o Espírito de Deus pairava por sobre as águas, isto é, preparava-se para o maravilhoso ato criativo e reconstrutivo que vem a seguir. Os versículos restantes descrevem os seis dias de criação e reconstrução que moldaram a terra para ser habitada pelos seres humanos.

1:3-5 No primeiro dia, Deus ordenou que a luz se separasse das trevas e, com isso, estabeleceu o ciclo Dia e Noite. Esse ato não deve ser confundido com a criação do sol, da lua e das estrelas no quarto dia. Em 2 Coríntios 4:6, o apóstolo Paulo estabelece um paralelo da separação entre a luz e as trevas com a conversão do pecador.

1:6-8 Parece que, antes do segundo dia, aterra estava completamente imersa numa camada espessa de água, talvez em forma de vapor carregado. No segundo dia, Deus dividiu essa camada em duas partes: uma parte cobriu a terra, e a outra formou as nuvens, e entre elas surgiu a atmosfera, ou firmamento: E chamou Deus ao firmamento Céus, isto é, o espaço imediatamente acima da superfície do planeta (não o espaço estelar, nem o terceiro céu, onde Deus habita). 0 versículo 20 deixa claro que o céu aqui se refere ao espaço onde voam as aves.

1:9-13 Depois disso, Deus ajuntou as águas que cobriam o planeta e fez aparecer a porção seca, criando assim a Terra e os Mares. Além disso, no terceiro dia Deus fez surgir todos os tipos de plantas e árvores na terra.

1:14-19 Somente no quarto dia Deus criou os luzeiros no firmamento dos céus (o sol, a lua e as estrelas) para iluminarem a terra e servirem no estabelecimento do calendário.

1:20-23 No quinto dia, Deus povoou as águas com peixes e a terra, com aves e insetos. A palavra traduzida por aves significa “seres que voam”, incluindo morcegos e provavelmente insetos alados.

1:24-25 No sexto dia, Deus criou os animais e répteis. A lei biológica da reprodução aparece repetidamente com as palavras conforme a sua espécie. Há variações significativas entre as “espécies” que
compõem a vida biológica, mas não há cruzamento entre uma espécie e outra.

1:26-28 A coroa da obra de Deus foi a criação do homem à sua imagem e semelhança. Isso significa que o homem foi colocado na terra como representante de Deus e, de certa forma, partilha características semelhantes com o Senhor: Deus é uma Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), e o homem é um ser tripartite (corpo, alma e espírito); como Deus, o homem possui intelecto, juízo moral, poder de se comunicar com os outros e uma natureza emocional que transcende seus instintos. Não há indicação de semelhança física no texto. Ao contrário dos animais, o homem é um ser criador e adorador, e se comunica com clareza. O versículo 26 contempla ou até mesmo faz supor a existência da Trindade: “disse [no heb., o verbo está no singular] Deus [.Elohim, no plural]: Façamos [plural] o homem à nossa imagem”. A Bíblia apresenta a origem dos sexos como um ato criativo de Deus (a evolução até agora não conseguiu explicar como surgiram os sexos). Deus ordenou aos seres humanos: sede fecundos, multiplicai-vos. Quanto à criação, Deus disse ao homem: sujeitai-a; dominai; porém não mandou que fosse destruída. A crise atual que afeta o meio ambiente se deve à ganância, ao egoísmo e à negligência do homem.

1:29-30 Esses versículos deixam claro que, no início, os animais eram herbívoros, e o homem, vegetariano. Essa situação mudou após o dilúvio (ver. 9:1-7). Será que os seis dias da criação compreendiam 24 horas ou seriam referentes a eras geológicas? Ou será que se referem a seis dias de “visões dramáticas” em que Deus revelou a Moisés como ocorreu a criação? Até agora, nenhuma evidência científica refutou o conceito de que esses períodos se referem a dias solares de 24 horas. A expressão “houve tarde e manhã” indica um intervalo de 24 horas. Em qualquer outra passagem do AT, essas palavras indicam um dia solar normal. Após o término daquele sétimo dia, Adão ainda viveu 930 anos, de modo que o sétimo dia provavelmente não se refere a uma era geológica. No AT, sempre que a palavra “dia” aparece junto de um numeral (p. ex., “primeiro dia”), ela se refere a um dia de 24 horas. A ordem de Deus para que o povo de Israel descansasse no sábado tinha por base seu descanso no sétimo dia após seis dias de trabalho (Êx 20:8-11). A fim de garantirmos uma interpretação coerente sobre esse assunto, precisamos adotar um único significado para a palavra “dia”. A dificuldade, entretanto, reside no fato de que o dia solar como o conhecemos pode ter surgido somente no quarto dia da criação (v. 14-19). Na Bíblia, não se atribui uma data específica à criação do céu e da terra ou à criação do homem. Contudo, o texto apresenta genealogias. Ora, mesmo admitindo possíveis lapsos de tempo nessas informações, o homem não poderia ter vivido na terra por milhões de anos, como querem os evolucionistas. João 1:1,14, Colossenses 1:16 e Hebreus 1:2 ensinam que o Senhor Jesus foi o agente da criação. Em vista das inesgotáveis maravilhas de sua criação, ele é digno de adoração eterna.


1:31 Ao final dos seis dias da criação, viu Deus tudo
quanto fizera, e eis que era muito bom.

A Criação, Versículos 1 e 2 - Comentário de Matthew Henry / Gênesis

Gênesis 1 -  Versículos 1 e 2   A Criação

Comentário de Matthew Henry Gênesis 1 -  Versículos 1 e 2


A Criação


Nestes versículos temos a obra da criação em seu epítome e em seu embrião.

I. Em seu epítome, v. 1, onde encontramos, para o nosso conforto, o primeiro artigo do nosso credo, que Deus Pai, o Todo-poderoso, é o Criador do céu e da terra, e cremos nele como tal.

1. Observe, neste versículo, quatro coisas:

(1) O efeito que produziu o céu e a terra, isto é, o mundo, incluindo toda a estrutura e os elementos do universo, o mundo e todas as coisas a esse respeito, Atos 17.24. O mundo é uma grande casa, consistindo de histórias superiores e inferiores, a estrutura imponente e magnífica, uniforme e conveniente, e cada cômodo é bem mobiliado, com toda a sabedoria. Esta é a parte visível da criação que Moisés aqui procura explicar. Portanto, ele não menciona a criação dos anjos. Mas como a terra não só possui a sua superfície enfeitada com ervas e flores, mas também as suas entranhas são enriquecidas com metais e pedras preciosas (que participam de sua natureza sólida e mais valiosa, embora a criação delas não seja mencionada aqui), assim os céus não só são embelezados aos nossos olhos com luminares gloriosos que enfeitam o seu exterior, de cuja criação lemos aqui, mas por dentro estão repletos de seres gloriosos, fora da nossa vista. Estes são seres celestiais que superam em excelência os astros, assim como o ouro ou as safiras excedem os lírios do campo. 
No mundo visível é fácil observar:

[1] Grande variedade, diversos tipos de seres imensamente diferentes uns dos outros em
sua natureza e constituição. Senhor, quão múltiplas são as tuas obras, e todas são muito boas! [2] Grande beleza. O céu azul e a terra verdejante são charmosos ao olhar de espectadores curiosos. Quanto mais os ornamentos de ambos. Quão transcendente então deve ser a beleza do Criador! [3] Grande exatidão e precisão. Para aqueles que, com a ajuda de microscópios, olham estritamente para as obras da natureza, elas parecem muito mais refinadas do que qualquer obra de arte. [4] Grande poder. Este não é um monte de matéria morta e inativa, mas há virtude, em diferentes níveis, em cada criatura. A terra em si possui uma força magnética.  [5] Grande ordem, uma dependência mútua de seres, uma harmonia exata de movimentos, e uma admirável cadeia e conexão de causas. [6] Grande mistério. Há fenômenos na natureza que não podem ser resolvidos, segredos que não podem ser compreendidos nem explicados. Mas a partir do que vemos do céu e da terra podemos facilmente deduzir o poder eterno e a divindade do grande Criador, e podemos nos suprir com motivos abundantes para os seus louvores. E que a nossa condição e posição, como homens, nos faça lembrar da nossa obrigação como cristãos, que é sempre manter o céu em nossa vista e a terra debaixo de nossos pés.

(2) O autor e a causa desta grande obra: DEUS. A palavra hebraica é Elohim, o que indica:     [1] O poder de Deus, o Criador. El significa o Deus forte. E o que, menos do que uma força poderosa, poderia fazer surgir todas as coisas do nada? [2] A pluralidade das pessoas da Divindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Este nome plural de Deus, em hebraico, que fala dele no plural, embora ele seja um, talvez fosse para os gentios um sabor de morte para a morte, endurecendo-os em sua idolatria. Mas isto é para nós um sabor de vida para vida, confirmando a nossa fé na doutrina da Trindade, a qual, embora seja apenas secretamente sugerida no Antigo Testamento, é claramente revelada no Novo Testamento. O Filho de Deus, a eterna Palavra e Sabedoria de Deus estavam com Ele quando fez o mundo (Pv 8.30). Freqüentemente ouvimos que o mundo foi feito por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez, João 1.3,10; Efésios 3.9; Colossenses 1.16; Hebreus 1.2. Oh, que pensamentos elevados isto deve formar em nossas mentes a respeito deste grande Deus, de quem nos aproximamos em adoração religiosa, e deste grande Mediador em cujo nome chegamos mais perto!

(3) O modo pelo qual esta obra foi realizada: Deus criou, isto é, fez do nada. Não havia nenhuma matéria pré-existente a partir da qual o mundo foi produzido. Os peixes e as aves foram certamente produzidos a partir das águas, e os animais e o homem da terra. Mas esta terra e estas águas foram feitas do nada. Pelo poder comum da natureza, é impossível que algo seja feito do nada. Nenhum artífice pode trabalhar, a menos que ele tenha com que trabalhar. Mas pelo poder infinito de Deus, não só é possível que algo seja feito do nada (o Deus da natureza não está sujeito às leis da natureza), mas na criação é impossível que ocorra o contrário, porque nada é mais desrespeitoso para a honra da Mente Eterna do que duvidar de sua onipotência. Assim, a excelência do poder pertence a Deus, como também toda a honra e toda a glória.

(4) Quando esta obra foi produzida: No princípio, isto é, no início do tempo, quando este relógio foi colocado para funcionar pela primeira vez. O tempo começou com a produção destes seres que são medidos pelo tempo. Antes do início do tempo não havia nada além daquele Ser Infinito que habita a eternidade. Se perguntássemos por que Deus não fez o mundo antes, apenas escureceríamos o conselho com palavras sem conhecimento. Pois como poderia haver cedo ou tarde na eternidade? E ele o fez no início do tempo, de acordo com os seus conselhos eternos antes de todo o tempo. Os rabinos judeus têm um ditado que diz que houve sete coisas que Deus criou antes do mundo, que têm apenas o propósito de expressar a excelência delas: A lei, o arrependimento, o paraíso, o inferno, o trono da glória, a casa do santuário, e o nome do Messias. Mas para nós, é suficiente dizer: No princípio era o Verbo, João 1.1.

2. Aprendamos com isso:

(1) Que o ateísmo é loucura, e os ateus são os maiores loucos na natureza. Porque eles
vêem que há um mundo que não poderia se fazer sozinho, e, no entanto, não reconhecem que há um Deus que o fez. Sem dúvida alguma, eles não têm desculpa, mas o deus deste mundo cegou as suas mentes.

(2) Que Deus é o Senhor soberano de todos por um direito incontestável. Se Ele é o Criador, sem dúvida Ele é o dono, o proprietário dos céus e da terra.

(3) Que com Deus todas as coisas são possíveis. Portanto, feliz é o povo que o tem por seu Deus, e cuja ajuda e esperança esperam de Seu nome, Salmos 121.2; 124.8.

(4) Que o Deus a quem servimos é digno de glória e louvor, e é exaltado acima de tudo e de todos, Neemias 9.5,6. Se Ele fez o mundo, não precisa dos nossos serviços, nem pode ser beneficiado por eles (At 17.24,25). Mesmo assim Ele os requer, e merece o nosso louvor, Apocalipse 4.11. Se todas as coisas são dele, tudo deve ser para Ele.

II. Aqui está a obra da criação em seu embrião, v. 2, onde temos um relato da primeira matéria e do primeiro movimento.

1. Um caos foi a primeira matéria. Ela é aqui chamada de terra (embora a terra propriamente dita não tenha sido feita até o terceiro dia, v. 10), porque ela se parecia muito com o que depois foi chamado de terra, mera terra, destituída de seus ornamentos, e era como uma massa pesada e desordenada. Também é chamado de o abismo, tanto por sua vastidão como porque as águas, que foram depois separadas da terra, estavam agora misturadas com ela. A partir desta imensa massa de matéria, todos os corpos e até mesmo o firmamento e os céus risíveis, foram depois produzidos pelo poder da Palavra Eterna. O Criador poderia ter feito a sua obra perfeita a princípio, mas por este processo gradual Ele pode mostrar qual é, ordenadamente, o método de sua providência e de sua graça. Observe a descrição deste caos.

(1) Não havia nele nada desejável de ser visto, porque era sem forma e vazio. Tohu e Bohu, confusão e vazio. Assim estas palavras são traduzidas, Isaías 34.11. Ela era sem forma, era inútil, não tinha habitantes, não tinha ornamentos, a sombra ou aridez severa das coisas por vir, e não a imagem das coisas, Hebreus 10.1. A terra é quase reduzida à mesma condição outra vez pelo pecado do homem, sob o qual a criação geme. Veja Jeremias 4.23: Observei a terra, e eis que estava assolada e vazia. Para aqueles que têm os seus corações no céu, este mundo inferior, em comparação com o superior, ainda parece ser nada além de confusão e vazio. Não há nenhuma beleza verdadeira para ser vista, nenhuma plenitude satisfatória para ser desfrutada, nesta terra, mas somente em Deus.

(2) Mesmo se houvesse qualquer coisa desejável para ser vista, não havia luz para vê-la. Porque as trevas, trevas espessas, estavam sobre a face do abismo. Deus não criou estas trevas (como é dito que Ele criou as trevas da aflição, Isaías 45.7), porque foi só a falta de luz, a qual não se poderia dizer que faltava até que algo fosse criado para ser visto através da luz. Nem se precisava reclamar da falta dela, pois não havia nada para ser visto além da confusão e do vazio. Se a obra da graça na alma é uma nova criação, este caos representa o estado de uma alma desgraçada e pecadora. Há desordem, confusão, e toda obra má. Está vazia de todas as coisas, por que não tem a Deus; é escura, é a própria escuridão. Esta é a nossa condição por natureza, até que a graça poderosa efetue uma mudança bendita.


2. O Espírito de Deus foi o primeiro a se mover: Ele se movia sobre a face das águas. Quando consideramos a terra sem forma e vazia, parece-me que ela é como o vale repleto de cadáveres e ossos secos. Eles podem viver? Esta massa confusa de matéria pode ser formada em um mundo belo? Sim, se um espírito de vida procedente de Deus entrar nele, Ezequiel 37.9. Agora há esperança a respeito disso. Porque o Espírito de Deus começa a operar, e, se ele opera, quem ou o que impedirá? E dito que Deus fez o mundo pelo seu Espírito, Salmos 33.6; Jó 26.13. E a nova criação é realizada pelo mesmo trabalhador poderoso. Ele se moveu sobre a face do abismo, como Elias se estendeu sobre a criança morta, assim como a galinha junta os seus pintinhos debaixo de suas asas, e paira sobre eles, para aquecê-los e alimentá-los, Mateus 23.37. Assim como a águia agita o seu ninho, e bate as asas sobre os seus filhotes (a mesma palavra que é usada aqui), Deuteronômio 32.11. Aprendemos, conseqüentemente, que Deus não só é o autor de todos os seres, mas a fonte de vida e de movimento. A matéria morta estaria para sempre morta, se Ele não a tivesse estimulado. E torna-se digno de crédito para nós que Deus ressuscitasse os mortos. Um poder que tirou este mundo da confusão, do vazio, e das trevas, no início do tempo, pode, no fim do tempo, tirar os nossos corpos maus da sepultura, embora ela seja uma terra de trevas como as próprias trevas, e sem qualquer ordem (Jó 10.22), e pode torná-los corpos gloriosos.

Introdução capítulo 1 - Comentário de Matthew Henry / Gênesis

Introdução de Gênesis

Introdução de Gênesis

Capítulo 1


Sendo o fundamento de toda religião baseado em nossa relação com Deus como o nosso Criador, é justo que o livro das revelações divinas, que tinha o propósito de ser o guia, apoio, e regra da religião do mundo, começasse - como de fato começa - com um relato simples e completo da criação do mundo em resposta à primeira indagação de uma boa consciência: “Onde está Deus que me fez?” (Jó 35.10). A esse respeito, os filósofos pagãos infelizmente cometeram um grave erro e, tornando-se presunçosos em seus conceitos, alguns defendem a auto-existência e perpetuidade do mundo, enquanto outros atribuem tudo isto ao encontro eventual de átomos. Assim, “o mundo pela sua própria sabedoria não conheceu a Deus”, mas sofreu muito ao perdê-lo. A sagrada escritura, entretanto, planejando pela religião revelada manter e desenvolver a religião natural, reparando a sua decadência e suprindo os seus defeitos, desde a queda, para a vivificação dos preceitos da lei da natureza, estabelece, em primeiro lugar, este princípio da luz clara da natureza. Que este mundo foi, no princípio do tempo, criado por um Ser de sabedoria e poder infinitos, que existia antes de todo tempo e de todos os mundos. O acesso à Palavra de Deus oferece esta luz, Salmos 119.130. O primeiro versículo da Bíblia nos dá um conhecimento mais seguro e melhor, mais satisfatório e útil, da origem do universo, do que todos os livros dos filósofos. A fé viva de cristãos humildes entende esta questão melhor do que a concepção mais elevada das maiores inteligências, Hebreus 11.3.


Temos três coisas neste capítulo: I. Uma ideia geral que nos é dada sobre a obra da criação, v. 1,2. II. Um relato específico da obra de vários dias, registrados, como em um diário, distintamente e em ordem. A criação da luz, no primeiro dia, v. 3-5. Do firmamento, no segundo dia, v. 6-8. Do mar, da terra, e dos seus frutos, no terceiro dia, v. 9-13. Dos luminares do céu, no quarto dia, w. 14-19. Dos peixes e aves, no quinto dia, v. 20-23. Dos animais, v. 24,25. Do homem, w. 26-28. E do alimento para ambos, no sexto dia, v. 29,30. III. A revisão e a aprovação de toda a obra, v. 31.